O Feminina Dramaturgia em sua segunda edição, agora em março de 2011, ganhou o nome de Prêmio Heleny Guariba, com 91 inscrições de textos dramáticos inéditos escritos exclusivamente por mulheres.
Na noite de 17 de março, no Studio 184, três jovens autoras foram premiadas com uma quantia em dinheiro e uma delicada escultura de colibri, referência à obra “Heleny, Heleny – Doce Colibri”, parte da trilogia dramatúrgica de Dulce Muniz sobre mulheres fundamentais na história do pensamento socialista e da ação de resistência (veja mais na entrevista de 10 de outubro de 2010).
Com presenças importantes como Cândida Guariba (neta de Heleny) e da pesquisadora Maria Silvia Betti, a premiação trouxe à tona discussão sobre a produção dramatúrgica feminina: sobre o quê as mulheres escrevem, em que pé está a dramaturgia nacional, há um número expressivo de autoras no país?
Segundo observação da jurada Neusa Steiner, cerca da metade dos textos inscritos falam sobre relacionamentos, o que aponta um lugar comum do “feminino” que precisa ser rompido, já que as mulheres estão nas ruas, no mercado de trabalho, muitas são arrimo de família e podem viver tranquilamente sem o fantasma da necessidade do casamento como único meio de realização pessoal. (Podem?)
Por outro lado, a jurada Bel Teixeira refletiu sobre a necessidade do conhecimento profundo das estruturas dramatúrgicas para que se possa romper com a tradição e apontar novas possibilidades. Bel falou sobre a ousadia e liberdade presentes nos textos e ficou com a questão “será que existe uma escrita feminina?”.
Para a atriz, a experiência de ler 91 textos escritos por mulheres revelou “um grito de dentro da terra”.
Da importância do prêmio
Além das três autoras premidas (confira abaixo), o evento dedicou menção honrosa a mais três participantes e homenageou com o “Prêmio Dom Quixote – o Perseguidor da Utopia” três jovens mulheres militantes, envolvidas com a luta dos grupos de teatro por políticas públicas culturais, com o Movimento de Teatro de Rua e com o Movimento Feminista.
“As mulheres escrevem, as mulheres produzem, mas elas não aparecem!”, diz Dulce ao apresentar o prêmio.
Com o teatro na Praça Roosevelt reformado e lotado, Dulce estava orgulhosa por ter em sua casa novas gerações de artistas e militantes que, inevitável, alimentam-se de sua experiência e generosidade e dão continuidade aos trabalhos de construção de um mundo mais justo e fraterno.
A arte traz em seu cerne a potência da revolução, já que atinge nossa mente e coração com a flecha certeira do questionamento, do incômodo, da dúvida e da beleza também. O teatro é poesia em ação, é revisão crítica da história, é distanciamento para que novas possibilidades floresçam.
Assim é fundamental tanto para nossa dramaturgia, como para as novas histórias construídas pelas mulheres, que o Prêmio Heleny Guariba tenha continuidade para incontáveis edições e seja inscrito no calendário cultural da cidade de São Paulo.
Autoras premiadas
1o. lugar: Dia de Tábata Makowski
2o. lugar: Reality Final de Michelle Ferreira
3o. lugar: Atrás do Pano – A Comédia de Luiza Jorge
Menção honrosa
Cabíria em Fuga de Luciana Lima Silva
Insônia, Dieta, Sexo e Outras Alegorias de Cláudia Aguiar Thomé e Estela R. Fischer
Boulevard Corner Palace de Cláudia Picci.
Prêmio Dom Quixote – o Perseguidor da Utopia
Fernanda Azevedo, da Kiwi Cia de Teatro
Maysa Lepique, do coletivo Atuadoras
Simone Pavaneli, do Núcleo Pavanelli
O Prêmio Heleny Guariba faz parte do projeto “E a luta continua… “ do Núcleo do 184 contemplado pelo Programa Municipal de Fomento ao Teatro para a Cidade de São Paulo.
