Teatro, política e feminismo: a possibilidade de construir uma nova história.

Quatro anos de pesquisa e trabalho em torno do tema “patriarcado e capitalismo”, mais de 60 apresentações do experimento cênico Carne (em sua maioria em locais não teatrais como sindicatos, salas de aula, casas de detenção, centros de cidadania da mulher etc.), intervenções urbanas junto aos movimentos feministas, mostras de filmes latinoamericanos, debates com convidadas de diferentes áreas e formações, participações em seminários que discutiam performance e gênero, encontros multiartísticos envolvendo movimentos sociais e artistas de diversas linguagens, manifestações de rua em prol das lutas de emancipação das mulheres e a participação em um evento de grandes proporções que aconteceu no mês de março de 2010, no Estado de São Paulo – no qual duas mil mulheres marcharam quase 100km, durante 11 dias sob a coordenação geral da Marcha Mundial das Mulheres (MMM): estas foram algumas das ações nas quais a Kiwi Companhia de Teatro empenhou seu tempo e energia nos últimos anos.

Estas ações, ao romperem o cotidiano, condensarem conteúdo político, reflexão social, construção teórica, exercício estético e formal, luta anti-sistêmica e agitação feminista foram nossas apostas no sentido de acender o fogo da indignação que alimenta a recusa da resignação e da injustiça, um apelo estratégico a grande aventura humana e amorosa da revolução.

As mulheres que caminharam os 100km de Campinas à São Paulo provavelmente, em algum momento, se perguntaram: mas, por que marchar? Diante de tantas dificuldades concretas que surgiriam durante o caminho, por que levar adiante uma ação de tal dimensão? Certamente muitas são as respostas para estas questões mas uma delas parece estar ligada ao que podemos nomear de “necessidade do chamado”. O chamado para sermos atuantes e conscientes no curso da história, da nossa história e também o entendimento de que a luta por melhores condições de vida para todas/os só se faz coletivamente. Além da importância de escolher uma forma simbólica – a caminhada – para dar força e chamar a atenção sobre as opressões de gênero e classe.

Da mesma forma, nós, da Kiwi Companhia de Teatro, poderíamos nos fazer pergunta semelhante: por que fazer teatro? E mais: por que tratar de um tema como desigualdade de gênero e classe no teatro?

Nos jovens países da América Latina, como o Brasil – eternamente em desenvolvimento, mas ainda carregando as marcas da colônia – onde o principal veículo de comunicação e transmissão de “cultura e pensamento” é a televisão comercial (segundo dados da Articulação Mulher e Mídia, menos de 10% da população lê jornal e são baixíssimos os índices de freqüentação de teatro, cinema e outras atividades culturais), a formação estética, intelectual e política de grande parte da população está submetida ao controle de alguns poucos grupos econômicos que detém o poder das concessões públicas dos veículos de comunicação. Diante deste quadro, a disputa simbólica, do imaginário e dos meios de expressão é urgente! E a discussão política sobre as questões que envolvem opressão de gênero, violência contra a mulher e temas afins nunca possuiu tanta relação com o universo da produção artística quanto neste início de século XXI.

A maneira como a sociedade se apropria do corpo e do espaço social da mulher, com o objetivo de engessá-la dentro de uma ideologia patriarcal, é hoje objeto de estudo de artistas e coletivos como Maria Galindo & Mujeres Creando (Bolívia), Mujeres Publicas (Argentina), The Magdalena Project (Rede Internacional de Mulheres), Jesusa Rodrigues e Liliana Felipe (México), As Loucas de Pedra Lilás (grupo de artistas feministas de Recife), as Obscenas (Belo Horizonte), Atuadoras (São Paulo), entre tantas outras, anônimas ou conhecidas, através das Américas.

Para o dramaturgo e diretor de teatro Edward Bond, “a arte deve responder ao perigo de uma época.” Portanto, se não estamos satisfeitas/os com as desigualdades de classe, etnia e gênero e se queremos que as ideias voltem a ser perigosas, acreditamos que, em meio a tanta apatia, o teatro – como espaço horizontal, de reflexão mútua, de reunião e assembleia, espaço provocativo e propositivo – pode ser uma ferramenta potente nesta luta de Davi contra Golias.

Se as dificuldades de produção já são enormes – não esqueçamos que menos de 0,06% do orçamento do país é destinado ao Ministério da Cultura, enquanto 45% são gastos com o serviço da dívida, e, destes 0,06%, a maior parte é aplicada nas políticas de cultura baseadas em renúncia fiscal, que privilegiam o mercado – elas se multiplicam quando coletivos artísticos resolvem tematizar as questões de gênero – como se este assunto não tivesse a menor importância ou as mulheres já tivessem conquistado sua autonomia (como resposta a isso basta citar os indicadores de diferenças salariais entre homens e mulheres e os índices de violência sexista).

Como diz nosso querido companheiro Fernando Kinas, “acreditamos que o teatro pode responder – com alegria, rebeldia e inteligência – aos desafios desta nossa época, mostrando que há alternativas onde alguns vêem somente o inevitável.”

Mas, que teatro é esse? Justamente aquele que se lambuza de vida, está em constante diálogo com a realidade, se arrisca na busca de novas formas que desafiem o pensamento das pessoas que dele fazem parte (atuantes na cena e no público), atendem às necessidades dos chamados com ousadia e coragem de colocar em prática o exercício dialético (sem perder o rumo e posição política clara). Uma das principais características deste teatro é o funcionamento em rede, em parceria com os movimentos sociais.

“Mulheres querem um mundo mais justo pros filhos crescerem sem susto. Mulheres querem um mundo de paz, sem elite e sem capataz. Amigas, vamos marchar. Chega de fome, pobreza e violência, Amigas, vamos marchar. Cantando pro mundo a nossa irreverência. É terra para gozar, maternidade e aborto seguros. É vida, prá navegar. E saber eleger quem respeite a quem aqui está! Vamos!”.

Instigadas/os por esta canção das mulheres da Marcha Mundial lançamo-nos ao desafio: movimentos feministas e coletivos artísticos podem sim, juntos, contribuir na construção desta outra história, de uma história das mulheres.

 

Fernanda Azevedo

atriz integrante da Kiwi Companhia de Teatro e militante feminista da Marcha Mundial das Mulheres

(texto publicado no blog Viva Mulher em junho de 2011)

 

SERVIÇO

Temporada Carne (entre os dias 01/07 e 28/08 de 2011)
Estreia 01 de julho de 2011 (sexta-feira)

Sexta e sábado, às 21h, domingo às 20h

Local: Teatro Coletivo
Rua da Consolação, 1623. Centro, São Paulo SP

Lugares: 60 lugares
Ingressos: R$ 12,00 e R$ 6,00  (estudantes, idoso(a)s, categoria teatral).
Entrada gratuita para organizações e movimentos sociais (agendar com antecedência).

Reservas e informações:
Tel. (11) 7618-1690 / 7177-3810 kiwiciadeteatro@gmail.com

Imperdível!!!

A Kiwi Cia de Teatro oferece mais uma atividade dentro do projeto CARNE – PATRIARCADO E CAPITALISMO, contemplado pelo Programa de Fomento ao Teatro para a Ciade de São Paulo.

O evento Mulher em Movimento é uma mostra internacional de filmes com a mulher como tema central, itinerante pela cidade de São Paulo, e que tem apoio do Centre Audiovisuel Simone de Beuvoir e do Centro Cineclubista de São Paulo.

A mostra começou no dia 19 de março no Sacolão das Artes com exibição de “Fala Mulher!” de Graciela Rodriguez e Kika Nicolela; um documentário com as mulheres apaixonadas pelo samba. Nova exibição da obra acontecerá no dia 09 de abril, às 18hs30, no Centro Cineclubista de São Paulo, com presença das diretoras para debate na sequência.

A mostra também exibirá filmes da Nicarágua e México, inéditos no Brasil.

Confira toda a programação no flyer a seguir.

Para saber mais: www.kiwiciadeteatro.com.br

O Feminina Dramaturgia em sua segunda edição, agora em março de 2011, ganhou o nome de Prêmio Heleny Guariba, com 91 inscrições de textos dramáticos inéditos escritos exclusivamente por mulheres.

Na noite de 17 de março, no Studio 184, três jovens autoras foram premiadas com uma quantia em dinheiro e uma delicada escultura de colibri, referência à obra “Heleny, Heleny – Doce Colibri”, parte da trilogia dramatúrgica de Dulce Muniz sobre mulheres fundamentais na história do pensamento socialista e da ação de resistência (veja mais na entrevista de 10 de outubro de 2010).

Com presenças importantes como Cândida Guariba (neta de Heleny) e da pesquisadora Maria Silvia Betti, a premiação trouxe à tona discussão sobre a produção dramatúrgica feminina: sobre o quê as mulheres escrevem, em que pé está a dramaturgia nacional, há um número expressivo de autoras no país?

Segundo observação da jurada Neusa Steiner, cerca da metade dos textos inscritos falam sobre relacionamentos, o que aponta um lugar comum do “feminino” que precisa ser rompido, já que as mulheres estão nas ruas, no mercado de trabalho, muitas são arrimo de família e podem viver tranquilamente sem o fantasma da necessidade do casamento como único meio de realização pessoal. (Podem?)

Por outro lado, a jurada Bel Teixeira refletiu sobre a necessidade do conhecimento profundo das estruturas dramatúrgicas para que se possa romper com a tradição e apontar novas possibilidades. Bel falou sobre a ousadia e liberdade presentes nos textos e ficou com a questão “será que existe uma escrita feminina?”.

Para a atriz, a experiência de ler 91 textos escritos por mulheres revelou “um grito de dentro da terra”.

Da importância do prêmio

Além das três autoras premidas (confira abaixo), o evento dedicou menção honrosa a mais três participantes e homenageou com o “Prêmio Dom Quixote – o Perseguidor da Utopia” três jovens mulheres militantes, envolvidas com a luta dos grupos de teatro por políticas públicas culturais, com o Movimento de Teatro de Rua e com o Movimento Feminista.

“As mulheres escrevem, as mulheres produzem, mas elas não aparecem!”, diz Dulce ao apresentar o prêmio.

Com o teatro na Praça Roosevelt reformado e lotado, Dulce estava orgulhosa por ter em sua casa novas gerações de artistas e militantes que, inevitável, alimentam-se de sua experiência e generosidade e dão continuidade aos trabalhos de construção de um mundo mais justo e fraterno.

A arte traz em seu cerne a potência da revolução, já que atinge nossa mente e coração com a flecha certeira do questionamento, do incômodo, da dúvida e da beleza também. O teatro é poesia em ação, é revisão crítica da história, é distanciamento para que novas possibilidades floresçam.

Assim é fundamental tanto para nossa dramaturgia, como para as novas histórias construídas pelas mulheres, que o Prêmio Heleny Guariba tenha continuidade para incontáveis edições e seja inscrito no calendário cultural da cidade de São Paulo.

Autoras premiadas

1o. lugar: Dia de Tábata Makowski

2o. lugar: Reality Final de Michelle Ferreira

3o. lugar: Atrás do Pano – A Comédia de Luiza Jorge

Menção honrosa

Cabíria em Fuga de Luciana Lima Silva

Insônia, Dieta, Sexo e Outras Alegorias de Cláudia Aguiar Thomé e Estela R. Fischer

Boulevard Corner Palace de Cláudia Picci.

Prêmio Dom Quixote – o Perseguidor da Utopia

Fernanda Azevedo, da Kiwi Cia de Teatro

Maysa Lepique, do coletivo Atuadoras

Simone Pavaneli, do Núcleo Pavanelli

O Prêmio Heleny Guariba faz parte do projeto “E a luta continua… “ do Núcleo do 184 contemplado pelo Programa Municipal de Fomento ao Teatro para a Cidade de São Paulo.

Inspirada no ritmo de uma das regiões mais badaladas da cidade de São Paulo, Rua Frei Caneca (paralelo ao movimentado Baixo Augusta), a trupe inaugura sua sede e reúne charme gastronômico de um Café Gourmet a um amplo Espaço Cultural, que este ano faz homenagem a “alma feminina”.

Fundada há 19 anos pelo diretor, ator e autor Antonio Ginco e a atriz Juliana Calligaris, bacharel em Filosofia e pesquisadora teatral, a trupe do Trilhas da Arte-Pesquisas Cênicas veio à cena em Americana-SP como Cia Se Liga, onde permaneceu por 14 anos. Hoje, reinventa o seu fazer artístico em seu novo Espaço Cultural inaugurado neste novembro.

.:: Sobre o Espaço::.

A iniciativa de criação do Espaço partiu da ideia de conceber um ambiente que reunisse  diversas possibilidades artísticas exatamente nesta região da cidade. “O bairro se destaca por reunir um público ávido por diversidade e novidade. Incluir esses desejos em um Espaço Artístico foi a forma que encontramos para esta realização”, definem os artistas.

O Estação Caneca – Espaço Cultural Trilhas da Arte contará com o café gourmet, um espaço gastronômico especializado que, além do expresso tradicional, contará com 18 bebidas à base de café exclusivas para o local. Para complementar, o espaço contará com uma mini revistaria-livraria, miniauditório com 20 lugares (disponível para mostras cinematográficas), sala de prática cênica para dança e teatro disponível para cursos e workshops, galeria para exposição de artes plásticas, camarins e banheiros com chuveiro e teatro com capacidade para 40 pessoas.

.:: Agenda do Estação Caneca – Espaço Cultural Trilhas da Arte::.

Tema: “Mulheres”

1-  “Senhorita Júlia” – Grupo Trilhas da Arte

Quintas – feiras, 21horas  – até 16/12

 Texto: tradução e adaptação da obra August Strindberg

Direção: Antonio Ginco

Elenco: Marcelo Bosso, Juliana Calligaris, Liz Nunes.

Fotos: Lenise Pinheiro

Sobre a peça:  Era noite de São João, a noite dos sonhos, as camponesas da fazenda da família organizam festejos, com música, comidas e danças. Enquanto a criada Cristina termina seus afazeres domésticos, seu noivo João, empregado das terras, vai buscá-la para a festa. Chega inesperadamente Senhorita Júlia, a noite avança e, de súbito, como um fogo ardente, acende-se uma paixão entre Júlia e João. Animada pelo vinho e pela cerveja, Júlia dança com João, relembram suas infâncias tão diversas socialmente e falam de seus sonhos íntimos. A partir de então, assuntos como a relação entre as classes sociais e a valorização da mulher na sociedade entre religiosidade, fé, leis universais e destino vêm à tona nesta trama.

  

2-  “Borboletas de Sol de Asas Magoadas” – Evelyn Ligocki

Sextas – feiras, 21h30 – até 17/12

Concepção, Interpretação e Direção: Evelyn Ligocki

Co-Direção: Celina Alcântara 

Sobre o espetáculo: O espectador é um dos visitantes da casa de Bety, travesti das ruas do centro de Porto Alegre-RS. No local, o público mergulha no universo comum a todas as travestis, ora cintilante, ora opaco, de preconceitos, risos, silicone, sexo, música, salto alto, desprezo, solidão e “super-feminilidade”. Para essa criação a atriz pesquisou por oito anos nas ruas, casas, boates e na Igualdade – Associação de Travestis e Transexuais do Rio Grande do Sul o universo que compõe sua personagem. Por este trabalho, Ligocki já recebeu o Troféu Açorianos “Atriz Revelação” RS e a indicação ao Prêmio Qualidade Brasil Melhor Atriz SP.


3- “Brutas Flores” – por Cia Móbiles

 Sábados, 19h30 – até 18/12

Direção de ator: Ana Paula Pais
Direção de movimento: Bruno Gasparotto

Elenco: Ana Paula Pais, Breno Capodeferro, Bruno Gasparotto, Cristiane Ciancio, Laís Alpi e Thaís Polidoro

Sobre o espetáculo: Olhar as mulheres sob seus próprios olhos tocá-las com suas mãos, amá-las rasgando-lhes o peito e vê-las além das mães, além das amantes e além do óbvio.

Brutas flores em um jardim suspenso contam histórias de outras flores em seus jardins vulgares, mais que isso, vivem essas histórias, tocam feridas abertas firmando assim uma aliança com essas mulheres atemporais.

  

4- “Obs.Cenas” – Grupo Estopim 

Sábados, 21h30 – até 18/12

Texto: Hilda Hilst
Diretor de Encenação: Osvaldo Beraldo
Direção de interpretação: Zeca Coelho
Elenco: Fabiana Pantarotto, Gláucia Neves e Patrícia Claro

Sobre o espetáculo: Inspirado na obra de Hilda Hilst. Após o prólogo desfilam crônicas: vozes da paixão dos que clamam por justiça, paz e igualdade na realidade de nossos tempos. Na segunda parte,  poesias brincam, de forma burlesca, com temas do universo de nossas aflições sexuais: poemas que se assemelham a contos de fadas para adultos. No epílogo, palavras: poesias revelam a efemeridade do tempo e da vida.

  

5- “Quando as Máquinas Param” – Cia de Baco

 Domingos, 19h30 – até 19/12

 Texto: Plínio Marcos

Direção: Marcelo Ferraz

Atores: Gláucia Neves e Otávio Delaneza

 Sobre o espetáculo:  Relação afetiva e amorosa: um jovem casal que lutar diariamente contra todas as limitações sociais que colocam em risco a continuidade e objetivo do seu amor. Como caminhar para o futuro se não temos mais esperanças? Quanto tempo pode o ser humano suportar sem perder sua dignidade, sua moral e sua ética? Pode o amor com toda a sua grandeza e força vencer um cenário de asfixia social.

  

 

Serviço:

Estação Caneca Espaço Cultural Trilhas da Arte

Rua Frei Caneca 384

Programação do Teatro:  terça-feira a domingo (Até 19/12)

Ingressos: R$30 (meia entrada R$15)

Informações: 11-2371-5744 contato@trilhasdaarte.com.br

Acesso a deficientes físicos e Estacionamento no local.

www.trilhasdaarte.com.br/

www.estacaocaneca.com.br/ http://trilhasdaarte.blogspot.com

Facebook: Trilhas da Arte Pesquisas Cênicas

Twitter: @trilhasdaarte

25 de novembro

Dia Latino americano e caribenho de luta

CONTRA A VIOLÊNCIA À MULHER

 

Por ocasião do Dia Latinoamericano e Caribenho de Luta contra a Violência contra a Mulher, nós, do movimento feminista, vimos a público para expressar a nossa indignação frente à persistência e crueldade da violência contra a mulher e a falta de empenho e compromisso dos governos e órgãos competentes para reverter esta situação.

A violência contra a mulher é a maior expressão das desigualdades vividas entre homens e mulheres na sociedade. A raiz desta violência está no sistema capitalista e patriarcal que impõem uma necessidade de controle, apropriação e exploração do corpo, vida e sexualidade das mulheres. Esta violência, ao mesmo tempo em que é produto da opressão patriarcal, também estrutura a subordinação das mulheres.

A violência marca o cotidiano de milhares de mulheres que têm suas integridades físicas e psicológicas violadas, a sexualidade controlada, receosas em espaços públicos, com sua liberdade de ir e vir cerceada, e suas vidas profissionais limitadas.

Hoje, outras formas de expressão do machismo e misoginia têm se intensificado na sociedade, como a mercantilização do corpo e vida das mulheres com a imposição de padrões estéticos e de beleza baseados na magreza e na eterna juventude. Essa imposição reforça o consumo exacerbado e fútil, ao mesmo tempo em que mina o amor próprio das mulheres. Há uma permanente desqualificação àquelas que estão fora dos padrões, fato que é usado como justificativa para violência. Cada vez mais o cotidiano de milhares de mulheres é marcado por uma série de humilhações e agressões. Entre os exemplos recentes que causaram indignação está o “rodeio das gordas”, promovido pelos alunos da UNESP, em que meninas que, na visão dos alunos, estavam fora dos padrões de peso, foram “montadas” como acontecem nos rodeios.

Estes episódios também chamam a atenção para a forma como a violência tem um forte componente da virilidade, que a identidade masculina cultua e valoriza desde a infância.

Esta violência se intensifica quando aliada ao racismo, que tem feito das jovens, principalmente negras, as maiores vítimas do trafico de mulheres e do aliciamento à prostituição, que alimenta o capital de grandes empresas e máfias pelo Brasil e mundo afora.

Os crimes de ódio e a banalização da violência têm sido uma triste marca do último período, com a morte de Eliza Samudio em Minas Gerais e de Mércia Nakashima, em Guarulhos. São exemplos que se ressaltam pelo nível da crueldade e banalização destas vidas, além do descaso, pois elas já haviam denunciado a situação.

A nossa sociedade persiste no modelo da divisão sexual do trabalho que imputa às mulheres a prioridade do trabalho doméstico e de cuidados. As mulheres estão sobrecarregadas, mas as tarefas de reprodução da vida não são valorizadas, nem reconhecidas como parte da economia. Ao mesmo tempo em que, por esta mesma razão, as mulheres se transformam em mão de obra barata no mercado de trabalho. Muitas, pelas responsabilidades que têm na casa e família, são obrigadas a abrir mão do emprego, ficando sem autonomia econômica, o que as torna mais vulneráveis frente à violência.

Já faz quatro décadas que o movimento feminista brasileiro vem lutando para que a violência sexista seja compreendida como um problema político e social, fundado nas relações de poder entre homens e mulheres. Mas que, por se dar, na maioria das vezes nas relações familiares e afetivas, a sociedade tenta naturalizar ou tratar como algo privado e sem relevância social. Neste sentido, a criação da lei Maria da Penha contribuiu para desnaturalizar e tipificar a violência contra a mulher como um crime. O grande desafio após quatro anos da lei é implementá-la na pratica em todas as suas dimensões. Os obstáculos estão fundados na omissão de muitos governos estaduais e municipais, que se soma ao machismo impregnado no sistema judiciário e órgãos afins, para que a lei Maria da Penha se transforme em letra morta.

Sabemos que, para superar de fato a violência contra a mulher, são necessárias políticas estruturais que alterem o status da mulher na sociedade, e políticas publicas de apoio e prevenção à violência. Mas não abrimos mão de que também haja punição, pois a impunidade dos agressores é que lhes dá a certeza de continuar praticando a violência. Recai sobre a mulher todo o estigma da violência enquanto o agressor é poupado e preservado em sua cidadania.

Nós acreditamos que só as mulheres organizadas em luta poderemos transformar essa realidade, por isso nesse 25 de novembro de 2010, estaremos nas ruas denunciando a violência pois queremos que ela seja considerado algo inaceitável por todas à sociedade; Estaremos exigindo políticas de igualdade para às mulheres sejam efetivadas no Estado Brasileiro no executivo, no legislativo e judiciário.

A realidade da violência contra a mulher no Brasil

Segundo o Mapa da Violência 2010, realizado pelo Instituto Sangari, uma mulher é assassinada a cada duas horas no Brasil, o que faz do país o 12° no ranking mundial de assassinatos de mulheres. 40% dessas mulheres têm entre 18 e 30 anos. A maioria das vítimas é morta por parentes, maridos, namorados, ex-companheiros ou homens que foram rejeitados por elas.

Em dez anos (de 1997 a 2007), 41.532 meninas e adultas foram assassinadas, segundo o Mapa da Violência 2010, estudo dos homicídios feito com base nos dados do SUS. A média brasileira é de 3,9 mortes por 100 mil habitantes; e o estado mais violento para as mulheres é o Espírito Santo, com um índice de 10,3 mortes. No Rio, o 8 mais violento, a taxa é de 5,1 mortes. Em São Paulo a taxa é de 2,8.

Dados do Disque-Denúncia, do Governo Federal, mostram que a violência ocorre na frente dos filhos: 68% assistem às agressões e 15% sofrem violência física com as mães.

A violência contra a mulher é a maior preocupação para 56% das mulheres entrevistadas pela pesquisa realizada por IBOPE e Instituto Avon em 2009. A mesma pesquisa aponta que 55% dos entrevistados conhecem pelo menos um caso de violência doméstica.

Segundo pesquisa realizada pela Subsecretaria de Pesquisa e Opinião Pública do Senado Federal em 2005, 54% das mulheres entrevistadas acreditam que as leis existentes no Brasil protegem as mulheres da violência doméstica. Na mesma pesquisa, 40% das entrevistadas declararam já ter presenciado algum ato de violência contra mulheres e 17% afirmaram já ter sofrido violência, sendo que dessas, 55% sofreram violência física, 24% violência psicológica, 14% violência moral e 7% violência sexual.

Entre as mulheres agredidas, 71% foram vítimas mais de uma vez e 50% quatro vezes ou mais, segundo a mesma pesquisa. O marido ou companheiro é responsável por 65% das agressões.

91% dos brasileiros consideram muito grave o fato de mulheres serem agredidas por companheiros e maridos. As mulheres são mais enfáticas (94%), mas, ainda assim, 88% dos homens concordam com a alta gravidade do problema. (Pesquisa IBOPE/ Instituto Patrícia Galvão , 2004).

A idéia de que a mulher deve aguentar agressões em nome da estabilidade familiar é claramente rejeitada pelos entrevistados (86%), assim como o chavão em relação ao agressor, “ele bate, mas ruim com ele, pior sem ele”, que é rejeitado por 80% dos entrevistados (Pesquisa IBOPE/ Instituto Patrícia Galvão , 2004).

Em uma pergunta que pede um posicionamento mais próximo daquilo que o entrevistado pensa, 82% respondem que “não existe nenhuma situação que justifique a agressão do homem a sua mulher”. Em contrapartida, 16% (a maioria homens) conseguem imaginar situações em que há essa possibilidade. Observa-se que 19% dos homens admitem a agressão, assim como 13% das mulheres (Pesquisa IBOPE/ Instituto Patrícia Galvão , 2004).

Dados Lei Maria da Penha

Segundo pesquisa realizada pelo IBOPE e Themis – Assessoria Jurídica e Estudos de Gênero, em parceria com o Instituto Patrícia Galvão, 68% dos entrevistados declararam conhecer a Lei Maria da Penha (Lei nº 11.340/06).
A Lei é mais conhecida nas regiões Norte e Centro-Oeste, onde 83% dos entrevistados conhecem a Lei e seu conteúdo. No Nordeste e Sul as taxas de conhecimento são, respectivamente, de 77% e 79%.

Apesar da percepção do problema da violência doméstica contra a mulher e do conhecimento da Lei Maria da Penha, 42% da população diz que as mulheres não costumam procurar algum serviço ou apoio em caso de agressão do companheiro (IBOPE/Themis)

Segundo os entrevistados, o serviço mais procurado é o da delegacia da mulher (38%), sobretudo no Nordeste (44%) e nas capitais (45%). A delegacia comum de polícia vem na sequência, com 19%. (IBOPE/Themis)

Seguiremos em Marcha até que todas sejamos LIVRES!

Marcha Mundial Das Mulheres

Dois projetos da XVI edição do Programa de Fomento ao Teatro para a Cidade de São Paulo tem olhar sobre a condição da mulher. São eles “Carne – Patriarcado e Capitalismo” da Kiwi Cia de Teatro e “E a luta continua…” do Núcleo 184 – ambos já citados aqui no blog.

Vale a pena conferir as atividades propostas pelos projetos e ver como há diversidade no tratamento e reflexão sobre a mulher na arte e no mundo.

O Núcleo 184 propõe a segunda edição do Feminina Dramaturgia – concurso de dramaturgia exclusivamente para mulheres. A iniciativa de Dulce Muniz, diretora do grupo, busca chamar atenção para a produção dramtúrgica de mulheres, que apesar de ser riquíssima, tem espaço muito menor em concursos e prêmios, assim como é menor a presença de mulheres em comissões e mesas de debates.

A comissão julgadora do Feminina Dramaturgia será composta por Georgette Fadel, Denise Del Vecchio e Tereza Aguiar.

INSCRIÇÕES: até dia 05/12, por correio ou pessoalmente no Studio 184 – Praça Franklin Roosevelt, 184, CEP 01303-020, das11hs às 22hs. A canditada deverá apresentar 3 cópias do texto com um pseudônimo e em documento separado, nome completo e pseudônimo, RG, CPF, endereço e telefone.

As três primeiras colocadas, além de leitura dramática das obras, receberão premiação em dinheiro – R$ 3.000,00 para a primeira colocada, R$ 2.500,00 para a segunda e R$ 2.000,00 para a terceira.

Já a Kiwi Cia de Teatro está rodando a cidade com o espetáculo Carne. As atrizes Fernanda Azevedo e Mônica Rodrigues dividem a cena com o músico Eduardo Contrera em cenas que exploram e revelam diferentes formas de opressão da mulher. O roteiro é de Fernando Kinas, diretor da peça e da cia, e tem forte contracena com vídeo.

O resultado é uma obra extremamente comunicativa e potente reveladora de hábitos e cultura da nossa sociedade que tem o machismo na base de sua formação.

Durante a Mostra Sesc de Artes, Carne será apresentada nos dias 19 e 20 de novembro às 21hs, no Sesc Pompeia – Rua Clélia, 93. No sábado, após a apresentação, debate com Tatau Godinho, socióloga e integrante da Secretaria Nacional de Mulheres.

Assista o vídeo:

De casaco de lã e chapéu, sua imagem me levou diretamente para a Revolução Russa!

Dulce Muniz, atriz, diretora e dramaturga, recebeu o blog da cooperada em seu teatro na Praça Roosevelt, o Studio 184.

Autora dos textos “Iara, camarada e amante”, “Heleny, Heleny – doce colibri” e “Rosa Vermelha”, Dulce tem a mulher na resistência como foco da sua dramaturgia.

Ela nos conta sobre a trajetória de sua formação, o grande envolvimento com a militância desde os tempos da ditadura militar, a criação do Teatro Jornal e sua evolução para o Teatro do Oprimido. Conta também do projeto que o Núcleo 184 realiza com subsídio do Programa de Fomento ao Teatro para a Cidade de São Paulo.

Acompanhe nos vídeos abaixo trechos da entrevista: uma aula da relação entre vida, arte e política em um rico memorial!

“Da foice e do martelo”: o gosto pelo estudo, a necessidade do estudo

Enganado o censor: a formação do Teatro Jornal, embrião do Teatro do Oprimido

“Eu não sou feminista”

“E a luta continua! – a Lei de Fomento do Núcleo 184

Pra terminar… Dulce Muniz é:

Studio 184

Praça Roosevelt, 184 – Centro

(11) 3259-6940

para conhecer mais:

Instituto Rosa Luxemburgo

CTO – Centro Teatro do Oprimido

Vejam só, que ótimo:

O CIM e a MMM realizarão na sexta-feira, 17 de setembro, às 19h00 a exibição do filme Clandestinas: o aborto no Brasil, seguido de debate entre as presentes. Essa ação é parte da iniciativa da MMM e do CIM no mês de setembro, que é marcado pelo debate sobre a legalização do Aborto no Brasil.

 Sobre o filme:

Trata-se do trabalho de Conclusão do Curso de Jornalismo da Universidade de São Paulo realizado por Ana Carolina Moreno, em 2006. Traz um panorama da situação da ilegalidade do aborto no Brasil, tendo como perspectiva a atuação do movimento de mulheres.  

Serviço:

Dia 17 de setembro, às 19h00

Local: CIM – Praça Roosevelt, 605, ao lado da igreja da Consolação.

Por ter sido vizinha da Iná durante dois anos numa travessa da avenida Pompeia, já sabia que não adiantava chegar em sua casa antes das 15hs. Além dos horários da minha querida entrevistada, em frente à sua porta rola uma ótima feira livre às quartas feiras.

Iná Camargo Costa é professora universitária aposentada do departamento de Letras da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São  Paulo; manja tudo de Teatro Épico, é grande colaboradora de vários grupos de teatro da cidade e é autora dos livros Panorama do Rio Vermelho, Ed. Nankim; Sinta o drama, Ed. Vozes; A Hora do Teatro Épico no Brasil, Ed. Graal.

Então, naquela tarde chuvosa do dia 14 de julho, fui recebida na sala aconchegante de sua casa para mais uma conversa deliciosa.

Começamos falando sobre o entendimento que a sociedade tem do profissional da arte, a dificuldade de reconhecimento da nossa profissão num país onde se trabalha no que for possível e que garanta o mínimo para sobreviver.

Contei a ela que quando um grupo de teatro abre bate papo com o público depois de uma apresentação de seu espetáculo, é comum que o elenco escute a pergunta “mas vocês trabalham com o quê?” ou “mas vocês vivem do quê?”.

A pergunta acaba por revelar que viver de arte no Brasil é um luxo, como conta Iná indo desde a Commedia dell’Arte até a sobrevivência dos nossos grupos, passando pela função da Cooperativa Paulista de Teatro e pela importância do movimento Arte Contra a Barbárie:

E a mulher profissional da arte? Diante desse quadro, como ficam as mulheres que, além de terem escolhido a arte, o teatro, como meio de vida, são profissionais autônomas, portanto não usufruem nem dos mínimos direitos conquistados pelas trabalhadoras que têm carteira de trabalho assinada?

Iná fala da relação liberdade do homem X escravidão da mulher como condição de constituição do capitalismo, o embrutecimento que o trabalho doméstico exclusivo provoca, sugere novas possibilidades de organização da família e, consequentemente, da sociedade – claro, a partir da ação coletiva de cidadãs e cidadãos, desnaturalizando (!!!) o papel que foi grudado à identidade da mulher ao longo da história da humanidade.

É de dentro dos movimentos sociais que saem as propostas de transformação da sociedade, as propostas de lei, as reivindicações por condições mais justas e igualitárias de direitos etc. Assim, o movimento feminista – ainda extremamente ativo, pra quem não sabe… – luta intensamente pelos direitos das mulheres.

Aí levantamos duas questões: primeiro a diversidade de segmentos dentro do movimento feminista (as trabalhadoras do campo, as operárias, as mulheres negras, as lésbicas, as intelectuais e por aí vai) e a ojeriza que as pessoas no geral tem em relação ao termo “feminista”. Ao perguntar para uma mulher se ela é feminista, a resposta mais comum é “Eu não! De jeito nenhum!!! Eu acho que homens e mulheres devem ter os mesmos direitos, acho errado homem bater em mulher, acho errado homem ganhar mais do que mulher, mas feminista, isso não!” – ou seja, essa mulher É feminista!

Estamos nesse momento acompanhando na mídia dois casos de femicídio – o assassinato da advogada Mercia e o de Eliza Samudio. Dado da Organização das Nações Unidas aponta que a cada 15 segundos uma mulher é espancada no Brasil. Outro dado revela que o assassinato é a terceira causa mortis da mulher brasileira, sendo que na grande maioria dos casos, o assassinato é cometido por um homem próximo à mulher (marido, ex marido, ex namorado, amante, pai, etc).

O movimento feminista lançou a bandeira (publicada no post anterior desse blog) MACHISMO MATA. Sobre esse tema, veja o que diz Iná:

E, por fim, Iná fala sobre a violência do estado, partindo da liberdade de se armar do cidadão americano e chegando à definição contraditória de direito à propriedade:

A condição da mulher é a medida do progresso humano.

(Marx, por Iná)

“Uma mulher foi assassinada por seu companheiro. Como se manifesta o patriarcalismo em cada país? Por que homens matam suas mulheres em sociedades patriarcais? Que regime social, que moral, que regime econômico permitem espancamentos e mortes? Por que, sobre elas, cai o silêncio? (…)” Augusto Boal

Em briga de marido e mulher se mete a colher, sim!

por Conceição Lemes

Janeiro. O ex-marido de Maria Islaine de Morais, 31 anos, a executa diante das câmeras de vídeo do seu salão de beleza em Venda Nova (MG).

Abril. Orestina Soares, 53 anos, de Duque de Caxias (RJ), é assassinada a pedradas pelo namorado. Engenho de Dentro (RJ); Dayana Alves da Silva, 24 anos, morre devido a queimaduras dois meses depois de o ex-marido atear-lhe fogo no corpo. Mônica Peixinho, 28 anos, é morta com um tiro na nuca em Lauro de Freitas (BA); seu companheiro é o principal suspeito é seu companheiro.

Maio. Mércia Nakashima, 28 anos, é assassinada em Nazaré Paulista (SP); seu ex-namorado está entre os suspeitos.

Junho. Eliza Samudio, 25 anos, é assassinada em Vespasiano (MG) porque tentava provar que Bruno, ex-goleiro do Flamengo, era pai do seu filho.

A imensa maioria, porém, dessas estúpidas tragédias femininas não sai nos jornais. No Brasil, agressões contra as mulheres ocorrem a cada 15 segundos. Quanto mais machista a cultura local, maior a violência contra a mulher. Os responsáveis por seus assassinatos são principalmente os atuais ou antigos maridos, namorados ou companheiros.

O Mapa da Violência no Brasil 2010, feito com base no banco de dados do Sistema Único de Saúde (DataSUS), revela: entre 1997 e 2007, 41.532 mulheres morreram vítimas de homicídio, o que significa dez mulheres assassinadas por dia no país.

“As mulheres são menos vítimas de assassinatos do que os homens”, explica Julio Jacobo Wiaselfisz, autor do estudo. “Porém, o nível de assassinato feminino no Brasil fica acima do padrão internacional. Enquanto aqui ocorrem 4,2 assassinatos femininos por 100 mil habitantes, na maioria dos países europeus, os índices não ultrapassam 0,5 caso por 100 mil.”

CRESCE PROCURA PELO DISQUE 180; MAIORIA MORA COM AGRESSORES

Essa semana a Central de Atendimento à Mulher – Ligue 180, da Secretaria Especial de Políticas para Mulheres (SEPM), divulgou o número de atendimentos de janeiro a maio de 2010. Somaram 271.719, um aumento de 95,5% em relação aos primeiros cinco meses de 2009 (138.985).

Nesse período, a Central 180 registrou 51.354 relatos de violência. Foram 29.515 casos de violência física, 13.464 de violência psicológica, 6.438 de violência moral, 887 de violência patrimonial, 1.060 de violência sexual, 42 situações de tráfico e 207 casos de cárcere privado.

“A procura pelos serviços da Central 180 aumentou nos primeiros cinco meses de 2010 devido à campanha nacional ‘Uma vida sem violência é um direito de todas as mulheres’, realizada no final de 2009”, acredita a ministra Nilcéa, da SEPM. “Também por causa da maior divulgação da Lei Maria da Penha.”

O relatório SEPM deste ano traz informações inéditas:

* 39,8% declararam que sofrem violência desde o inicio da relação.

* 38% disseram que a relação com o agressor tem mais de 10 anos de duração.

* 71,7% residem com o agressor.

* 68,9% relataram que os filhos presenciam a violência; 15,6 dos filhos sofrem também violência.

* 58, 2% das mulheres que buscam o Disque 180 têm entre 20 e 45 anos, 68,3% estão casadas ou em união estável e 28,9% possuem nível médio de escolaridade.

esse artigo completo pode ser lido no blog
http://muitasbocasnotrombone.blogspot.com/